A Argentina anunciou a demissão da ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, após ela apoiar uma resolução na ONU que defende o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. A decisão, comunicada em 30 de outubro, horas após a votação, gerou grande repercussão na Argentina e destaca a postura do presidente Javier Milei em alinhar as políticas exteriores do país com valores que ele considera prioritários para sua administração, como a liberdade e o combate a regimes ditatoriais.
O voto na ONU e o impacto nas relações diplomáticas
Na Assembleia Geral das Nações Unidas, 187 países votaram a favor da resolução que pede o fim do embargo a Cuba, enquanto apenas Estados Unidos e Israel se opuseram, e a Moldávia optou pela abstenção. Este foi um dos poucos temas em que a posição da Argentina se descolou da dos Estados Unidos, gerando desconforto no governo Milei. Segundo comunicado da presidência, a atual administração visa firmar uma política externa “coerente com os valores de liberdade e soberania”. Assim, sendo contrária ao apoio a regimes considerados autoritários, como o cubano.
Analistas indicam que Mondino teria agido de forma pragmática, visando manter apoio internacional para futuras pautas diplomáticas. Como exemplo, a recuperação das Ilhas Malvinas, um tema sensível para a Argentina. Contudo, a decisão não foi bem-recebida pelo governo de Milei, que preza por um alinhamento estrito aos seus valores ideológicos. Bem como, a parceria com os Estados Unidos.
Gerardo Werthein assume a diplomacia Argentina
Para substituir Mondino, Javier Milei nomeou Gerardo Werthein, atual embaixador argentino nos Estados Unidos, que possui fortes laços com o presidente e já vinha desempenhando um papel importante na diplomacia do país. Veterinário e empresário, Werthein é conhecido por sua influência no cenário esportivo argentino, sendo ex-presidente do Comitê Olímpico Argentino. Sua nomeação indica a intenção de Milei de estreitar os laços com os EUA e reorientar a diplomacia argentina conforme os interesses da administração.
A chegada de Werthein ao Ministério das Relações Exteriores reforça a posição de manter alinhamentos ideológicos claros, afastando-se de alianças com governos de perfil autoritário. Werthein, conhecido por sua visão conservadora, deve conduzir uma política mais rigorosa contra o que o governo Milei considera regimes antidemocráticos.
