O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou, na terça-feira (29/10), o terceiro inquérito para investigar a construção do túnel na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social visa investigar a relação entre a Prefeitura e a Álya Construtora, anteriormente conhecida como Queiroz Galvão. O promotor Silvio Marques lidera a investigação, verificando se o contrato de R$ 530 milhões contém evidências de fraudes e conluios em licitações anteriores.

Comunidade se mobiliza contra a obra e questiona impactos ambientais
A construção do túnel tem provocado grande mobilização dos moradores desde que os trabalhos começaram, em setembro de 2024. Diversos grupos expressaram preocupações em relação ao impacto ambiental e social do projeto. Em outubro, dezenas de pessoas chegaram a bloquear a Rua Sena Madureira em protesto contra a remoção de uma comunidade local em uma das áreas de acesso ao túnel e contra o corte de 172 árvores na região. Esses protestos refletem o pedido dos moradores por maior transparência e por alternativas que possam preservar o meio ambiente e evitar danos ao patrimônio local.
Acusações de formação de cartel e possíveis irregularidades no contrato
Entre as denúncias analisadas, Silvio Marques identificou alegações de que a Álya Construtora teria participado de um cartel durante licitações realizadas entre 2009 e 2010. De acordo com as informações recebidas, o contrato de 2024, que elevou o custo da obra para R$ 530 milhões, poderia ter sua origem em um processo licitatório fraudado. Supostamente, empresas envolvidas, incluindo a Álya Construtora, se organizaram para dividir contratos municipais, o que reforça as suspeitas de conluio. A investigação também está de olho no valor inflacionado do contrato, uma vez que o custo original, firmado em 2011, durante a gestão de Gilberto Kassab, estava estimado em pouco mais de R$ 200 milhões.
Histórico do projeto: mudanças e custos ao longo dos anos
O projeto do túnel na Rua Sena Madureira começou na gestão Paulo Maluf (1993-1996) e, desde então, diversas administrações reavaliaram sua viabilidade e custos. A obra foi contratada oficialmente em 2011 e posteriormente suspensa em 2013, durante a gestão de Fernando Haddad, devido a questionamentos sobre o custo-benefício. Em 2024, a retomada da obra ocorreu com ajustes e um custo maior, levantando novos questionamentos e investigações sobre mudanças e execução contratual.
