A Polícia Federal identificou um plano detalhado para anular o resultado das eleições presidenciais de 2022 e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os agentes apreenderam um manuscrito, chamado “Operação 142”, na mesa de um assessor do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro. Além disso, o documento incluía a frase “Lula não sobe a rampa”, deixando claro o objetivo de barrar a cerimônia de posse no Palácio do Planalto.

Os investigadores encontraram o manuscrito na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília. O documento estava na mesa do coronel Flávio Peregrino, que trabalha como assessor de Braga Netto. O plano apresentava ações específicas, como a interrupção do processo de transição de governo, a mobilização de juristas e influenciadores. Além disso, o uso do decreto do artigo 142 para legitimar o golpe. O grupo também planejava envolver órgãos como a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça (MJ) para respaldar juridicamente a iniciativa.
Como a ‘Operação 142’ foi estruturada?
A “Operação 142” revelou um plano bem estruturado para subverter o processo democrático no Brasil. Por isso, confira como os conspiradores organizaram as etapas dessa tentativa de golpe:
Avaliação da conjuntura
O grupo iniciou analisando o cenário político desde 2019. Por isso, eles mapearam o que chamaram de “ingerências do Judiciário” sobre as ações do Executivo e Legislativo, tentando justificar a necessidade de uma intervenção.
Linhas de ação definidas
Os responsáveis pelo plano estabeleceram várias etapas práticas para alcançar seus objetivos:
- Usar a AGU (Advocacia-Geral da União) e o Ministério da Justiça para enquadrar juridicamente o artigo 142 da Constituição.
- Convocar o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional para dar respaldo político.
- Realizar discursos em cadeia nacional de rádio e TV para mobilizar a população.
- Ensaiar as tropas para ações diretas, pois talvez fosse necessário um uso de força.
- Engajar juristas e influenciadores para defender o golpe publicamente.
- Criar comunicados (releases) para sustentar a narrativa golpista.
- Interromper o processo de transição de governo e anular decisões do STF.
Objetivos estratégicos (CG ESTRT e EFD ESTRT)
O plano previa um “Dia D”, marcado para decretar o artigo 142 e iniciar ações que “restabelecessem a ordem constitucional”. Então, esse objetivo foi chamado de Estado Final Desejado estratégico (EFD ESTRT), simbolizando a retomada do controle por vias autoritárias.
Objetivos políticos (CG POL e EFD POL)
Politicamente, o grupo queria:
- Anular as eleições presidenciais de 2022.
- Prorrogar os mandatos de aliados no Congresso.
- Substituir todo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- Organizar novas eleições sob suas condições.
O Estado Final Desejado Político (EFD POL) era cristalino: garantir que “Lula não sobe a rampa” e impedir sua posse.
Essas etapas revelam o nível de detalhamento e a intenção clara de usar meios institucionais e militares para consolidar um golpe contra a democracia brasileira. A operação visava não apenas anular o resultado das eleições, mas também alterar a estrutura do poder político no país.
Uso do artigo 142 da Constituição
Os conspiradores usaram o artigo 142 da Constituição Federal como base para justificar suas ações. Esse artigo define o papel das Forças Armadas na defesa da pátria e na garantia dos poderes constitucionais, mediante solicitação. No entanto, os envolvidos tentaram distorcer a interpretação do artigo para autorizar uma intervenção militar que anulasse o processo eleitoral legítimo.
Então, as investigações indicaram o envolvimento de outros militares e ex-ministros em articulações para o golpe. Além de Braga Netto, a Polícia Federal indiciou Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa. O relatório apontou que o grupo organizou núcleos dedicados à desinformação, à incitação de militares, e ao apoio jurídico e operacional para viabilizar o golpe.
Planejamento e reuniões estratégicas
Os investigadores confirmaram que os organizadores do plano realizaram reuniões em novembro de 2022, na residência de Braga Netto. Militares da ativa, da reserva e assessores próximos participaram desses encontros. Assim, o grupo discutiu medidas como monitorar autoridades civis e criar um “gabinete de gestão de crise” para implementar o plano e enfrentar as consequências.
