As declarações polêmicas de Leo Picon sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa o fim da jornada de trabalho 6×1 voltaram a causar repercussão na internet, desta vez envolvendo também sua irmã, Jade Picon. Leo, que é influenciador e empresário, manifestou-se publicamente contra a mudança proposta pela deputada federal Erika Hilton.
Em suas redes sociais, Jade Picon reconheceu seus privilégios e ressaltou a importância de apoiar causas que promovam uma vida mais equilibrada para os trabalhadores. Ela afirmou: “Não é meu lugar de fala pelos meus privilégios, mas estou aqui para mostrar meu apoio. Eu acho que sim, que as pessoas têm que reivindicar uma vida mais digna, lazer e saúde mental.”
Por outro lado, Léo Picon expressou preocupações sobre os impactos econômicos da PEC que propõe o fim da escala 6×1. Ele argumentou que a medida poderia resultar em redução de salários, informalização do mercado de trabalho e diminuição de investimentos privados no país. Léo também comparou a proposta à taxação de grandes fortunas, sugerindo que ambas poderiam ter consequências negativas para a economia brasileira.

Influenciador relata experiência trabalhando para Léo Picon
No meio da polêmica, o ex-assistente de Leo Picon, Bruno Moreira (ou Brino), entrou na discussão após internautas resgatarem um vídeo trazendo à tona detalhes de sua experiência ao lado do influenciador. Em uma transmissão ao vivo, Brino revelou episódios incômodos que vivenciou durante seu trabalho, incluindo condições que descreveu como humilhantes. Ao ser questionado por uma amiga sobre se “sentia algum ódio” enquanto trabalhava para Leo, Brino respondeu prontamente: “Odiava”. A fala repercutiu rapidamente, atraindo atenção sobre as alegações que Brino apresentou em sua live.
Brino revelou que, em várias ocasiões, acordava no sofá e se deparava com Leo nu, o que descreveu como uma situação extremamente desconfortável. Ele afirmou: “Ver o pinto do patrão não tá no escopo”, ressaltando o nível de exposição a situações que considerava inapropriadas. Inicialmente, Brino mencionou que recebia R$ 1.200 pelo trabalho, um valor que internautas consideraram baixo em relação às responsabilidades que assumia e às experiências relatadas. Contudo, em uma nova declaração após a repercussão, Brino corrigiu a informação, afirmando que seu salário era, na verdade, R$ 1.500.
Leo Picon responde com alfinetada e reacende polêmica
Os relatos de Brino ganharam força rapidamente entre os internautas, especialmente aqueles que já criticavam a visão de Leo sobre a jornada de trabalho 6×1. Em resposta, Leo Picon usou o X (antigo Twitter) para publicar uma indireta ao ex-funcionário. Ele anunciou que estava procurando um novo social media e disse que queria “alguém melhor que o Brino e que não o abandonasse”. A fala gerou uma nova onda de reações, com muitos usuários reforçando as críticas ao comportamento do influenciador e ao ambiente de trabalho que ele oferecia.
Ex-funcionária expõe escala exaustiva e falta de registro em carteira
O jornalista Daniel Nascimento, do jornal O Dia, revelou com exclusividade que Leo Picon enfrenta um processo trabalhista movido por uma ex-colaboradora. A profissional alega que trabalhou na “Picon’s RockStar Café”, em Recife, sem ter sua carteira assinada, cumprindo uma escala de trabalho de 6×1 e recebendo pagamentos baseados em entregas, sem salário fixo. Inicialmente, ela recebia R$ 5 por entrega; posteriormente, ao ser promovida a Gerente de Operações, passou a ganhar R$ 120 por diária, trabalhando de quinta a domingo em horários estendidos. O caso ganhou notoriedade especialmente pela postura de Picon em relação à PEC que propõe o fim da escala 6×1. Por fim, com críticos questionando a coerência de suas opiniões sobre a carga de trabalho da população.
Em sua defesa, Leo Picon afirmou não ter vínculo com o café e disse ter apenas emprestado R$ 288.953,50 a um amigo para abrir o negócio. Ele argumentou que a relação com o amigo se deteriorou após ele não honrar o empréstimo. Apesar das alegações, a juíza Paloma Daniele Borges dos Santos Costa desconsiderou a defesa de Leo. Então, o reconheceu como sócio da empresa, incluindo-o formalmente como réu no processo. A ex-funcionária cobra o valor de R$ 25.968,62 como indenização trabalhista, e o caso atraiu ainda mais atenção ao influenciador, cuja imagem tem sido debatida pelo público.
PEC do fim da jornada 6×1: o debate sobre direitos dos trabalhadores
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa abolir a escala de trabalho 6×1, apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), alcançou recentemente o número necessário de assinaturas para tramitar no Congresso Nacional. A proposta obteve 194 assinaturas, superando o mínimo exigido de 171 apoios para uma PEC.
A PEC propõe a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas, sem diminuição salarial, mantendo o limite diário de até 8 horas. Na prática, isso permitiria a adoção de uma jornada de 4 dias de trabalho por 3 de folga, conhecida como escala 4×3.
A proposta mobilizou debates sobre a qualidade de vida dos trabalhadores e a necessidade de modernização das relações laborais no Brasil. No entanto, enfrenta resistência de setores empresariais que temem impactos na produtividade e na rotina dos negócios.
Com o número de assinaturas necessário, a PEC segue agora para análise nas comissões responsáveis da Câmara dos Deputados, onde será debatida e poderá ser modificada antes de seguir para votação no plenário. A tramitação de uma PEC exige aprovação em dois turnos nas duas casas legislativas, com quórum qualificado de três quintos dos parlamentares.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 reflete uma tendência global de busca por melhores condições laborais e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A aprovação da PEC representaria uma mudança significativa na legislação trabalhista brasileira, alinhando-se a práticas adotadas em outros países. Afinal, muitos países europeus já implementaram jornadas reduzidas com resultados positivos em produtividade e bem-estar dos trabalhadores.
