Nesta quinta-feira, (07/11), Renata Falzoni (PSB), vereadora eleita em São Paulo, protagonizou um protesto na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, contra o corte de árvores para a construção de um túnel. Renata tentou impedir o avanço da obra segurando-se a uma das árvores, mas os Guardas Civis Metropolitanos (GCMs) a arrastaram. Pois, a obra, cercada por controvérsias, é alvo de três inquéritos do Ministério Público de São Paulo (MPSP), incluindo um voltado aos impactos ambientais e ao corte de 172 árvores na área, além de investigações sobre suspeitas de irregularidades no contrato firmado para a execução do projeto.
Protesto e confronto com Guardas Civis Metropolitanos
Nesse sentido, a cena ocorreu na Rua Sena Madureira, onde a Prefeitura de São Paulo autorizou o início das obras de construção de um túnel. A empresa cercou a área com tapumes no começo da semana para garantir a remoção das árvores. Renata Falzoni, uma das críticas mais vocalizadas do projeto, expressou seu descontentamento ao tentar impedir o corte das árvores que, de acordo com ela, fazem parte de um importante corredor verde da região, conectando a área ao Parque do Ibirapuera.
Renata se segurou a uma das árvores para impedir o corte, mas os GCMs a cercaram e arrastaram. “Eles me puxaram com força, e isso comprometeu minha coxa esquerda”, relatou a vereadora. Ela estimou que a equipe já havia removido pelo menos 15 árvores até o meio da tarde de quinta-feira. Segundo Renata, “Aqui, nós perdemos. A Prefeitura de São Paulo está cortando um importante corredor verde até o Ibirapuera”. A situação gerou indignação entre ativistas ambientais e moradores, que também protestam contra o impacto ambiental do projeto.
Obra e questões ambientais: Impacto e remoção de famílias
O túnel planejado integra um projeto de mobilidade urbana mais amplo e, ao mesmo tempo, enfrenta forte resistência. Além disso, a população se preocupa com o impacto ambiental e o deslocamento de famílias residentes na Rua Souza Ramos. Com a execução do projeto, dezenas de moradores precisarão deixar suas casas, o que intensifica a tensão entre os afetados diretamente.
O Ministério Público de São Paulo acompanha a situação com atenção. A Promotoria do Meio Ambiente conduz uma das investigações em andamento e examina os impactos ecológicos do corte de árvores, além dos níveis de poluição sonora que a construção poderá gerar. Moradores e ambientalistas questionam se a compensação ambiental prevista para o projeto será suficiente para mitigar as perdas ecológicas na área.
Inquéritos e suspeitas de irregularidades no contrato da obra
Além das preocupações ambientais, o MPSP conduz uma investigação sobre possíveis irregularidades no contrato de execução da obra. De acordo com o promotor Silvio Marques, há fingidos de fraude na licitação original, que remonta aos anos de 2009 e 2010. Segundo o promotor, “Várias empresas, inclusive a contratada, formaram um cartel para dividir obras municipais”, apontando para possíveis práticas de conclusão.
A Promotoria do Patrimônio Público e Social conduz esta investigação para avaliar o contrato firmado em 2024, originado de uma licitação fraudulenta. Se comprovadas, essas irregularidades poderão abrir novas questões legais e comprometer o andamento das obras, caso o Tribunal de Justiça determine a suspensão do contrato.
Próximos passos e repercussão pública
A obra que deveria melhorar a mobilidade urbana na Vila Mariana enfrenta questionamentos crescentes devido a possíveis impactos sociais e ambientais. A remoção das árvores e o deslocamento de famílias geraram um forte movimento de oposição, que inclui desde a vereadora Renata Falzoni até grupos ambientais e representantes locais. As investigações do Ministério Público poderão determinar o futuro do projeto, com a possibilidade de embargos e revisões contratuais, dependendo das descobertas das investigações.
O caso reflete o esforço entre o progresso urbano e a preservação ambiental em São Paulo. Enquanto o MPSP segue com os três inquéritos, a população e os movimentos ambientais aguardam respostas concretas e esperam que as autoridades considerem os impactos ambientais e sociais antes de seguirem com o projeto.
