O tribunal iniciou nesta terça-feira (15) o julgamento de Edgar Ricardo de Oliveira, acusado pela chacina que matou sete pessoas em Sinop, incluindo uma criança de 12 anos. O crime, ocorrido em fevereiro de 2023, chocou a sociedade pela sua brutalidade. Edgar agora enfrenta a justiça por esse massacre.
Disputa de sinuca que terminou em tragédia
O crime começou durante uma disputa de sinuca entre Edgar e Getúlio Rodrigues Frasão, uma das vítimas. Após perder a partida, Edgar retornou ao bar com Ezequias Souza Ribeiro, seu comparsa. Armados, eles deram início ao massacre, ordenando que todos no local se encostassem na parede antes de atirarem. Raquel Gomes de Almeida, esposa de Getúlio e mãe de Larissa, de 12 anos, relatou no tribunal que sua filha tentou correr, mas Edgar atirou nas costas da menina. “Ela passou por mim dizendo: ‘mãe, eu não posso ficar aqui’. Logo depois, correu e foi baleada”, relatou Raquel, visivelmente emocionada.
Frieza no ato e no tribunal
Durante o julgamento, o investigador Wilson Cândido de Souza descreveu a frieza de Edgar no momento dos assassinatos. Edgar fumou um cigarro enquanto atirava em suas vítimas. Ao ser preso, ele declarou que as pessoas que matou “não valiam nada” e “mereciam morrer”. Quando o investigador o questionou sobre a morte da menina Larissa, Edgar afirmou que “não era para matá-la”, mas permaneceu em silêncio quando confrontado sobre o fato de ter atirado nas costas da criança. O promotor de Justiça Herbert Dias Ferreira apresentou a acusação, enquanto o defensor público Ricardo Bosquesi defendeu Edgar no tribunal.
Depoimentos das famílias das vítimas
Além do depoimento de Raquel, o júri também ouviu Kelma Silva Santos, viúva de Maciel Bruno, proprietário do bar e uma das primeiras vítimas do massacre. Kelma revelou como a morte de seu marido devastou sua família. “Minha filha de 14 anos vive chorando. Ela era muito apegada ao pai. É difícil vê-la assim”, desabafou Kelma, destacando que Maciel sempre participou ativamente da vida dos filhos, o que deixou um vazio profundo na dinâmica familiar após sua morte.
Expectativas para o desfecho
O massacre em Sinop gerou uma grande comoção pública, especialmente pela morte da jovem Larissa. As autoridades prenderam Edgar dois dias após o crime, enquanto Ezequias foi morto em confronto com a polícia. A expectativa em torno do julgamento é alta, com a sociedade aguardando uma condenação exemplar para Edgar pelos assassinatos que cometeu. Raquel Gomes concluiu seu depoimento no tribunal com um pedido por justiça: “Quero que ele pague pelo que fez. Minha filha não volta mais, mas saber que ele está preso já traz algum alívio”.
Por fim, o julgamento continuará nos próximos dias, com novos depoimentos de testemunhas e as argumentações finais da defesa e da acusação antes do veredito do júri.
