Uma imagem capturada nesta sexta-feira (23) claramente revela a quantidade impressionante de fumaça sobre Cuiabá, evidenciando o impacto direto das altas temperaturas e dos quase 8 mil focos de calor registrados até o momento. Consequentemente, o cenário preocupante não apenas destaca a gravidade da crise ambiental que o estado enfrenta, mas também os incêndios florestais que se alastram de maneira devastadora.
Mato Grosso no topo dos focos de calor
De acordo com o sistema BDQueimadas, mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso é o estado brasileiro com o maior número de focos de calor registrados durante o mês de agosto. Até o momento, do dia 1º até esta sexta-feira, já foram identificados 7.762 focos de calor em todo o estado. Esse número certamente coloca Mato Grosso em uma posição crítica tanto no combate aos incêndios florestais quanto nas consequências desses eventos para o meio ambiente e para a população.

Além disso, o Inpe também divulgou uma lista das cidades mais afetadas pela fumaça e pelos incêndios. Entre elas, destacam-se os cinco municípios com maior concentração de focos de calor:
- Barão de Melgaço – 710 focos de calor
- Colniza – 668 focos de calor
- Aripuanã – 344 focos de calor
- Nova Nazaré – 314 focos de calor
- Campinápolis – 311 focos de calor
Esses números reforçam ainda mais a gravidade da situação nessas áreas, que estão sendo diretamente impactadas pelos incêndios e, consequentemente, pela emissão de fumaça.
Estiagem prolongada e suas consequências
Por outro lado, além dos focos de calor, a seca severa em Mato Grosso tem sido outro fator agravante para a propagação dos incêndios. A capital, Cuiabá, já está há 128 dias sem chuva significativa, sendo a última precipitação registrada no dia 17 de abril, com apenas 4,3 mm de chuva. Infelizmente, a previsão meteorológica aponta para a possibilidade de chuvas apenas a partir do dia 22 de setembro, o que significa que o estado ainda enfrentará várias semanas de clima seco e condições favoráveis à continuidade dos incêndios.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a umidade relativa do ar ideal para o conforto humano é em torno de 60%. Entretanto, devido às altas temperaturas e à falta de chuvas, a umidade no estado tem ficado bem abaixo desse nível, o que pode facilmente causar desconforto respiratório e, em alguns casos, outros problemas de saúde na população.
Recomendações para a população
Diante da gravidade da situação, é fundamental que a população tome medidas preventivas para minimizar os impactos da baixa umidade e, sobretudo, da fumaça. O uso de protetor solar, a ingestão constante de água e o uso de roupas leves são recomendações importantes para lidar com as altas temperaturas. Ademais, qualquer sinal de incêndio deve ser imediatamente reportado às autoridades pelos números de emergência 193 (Bombeiros) ou 190 (Polícia).
Impacto ambiental e humano
A onda de incêndios que assola Mato Grosso está deixando um rastro de destruição. Além de devastar áreas de floresta e vegetação, os incêndios afetam diretamente a fauna local, colocando em risco diversas espécies de animais que habitam as regiões afetadas. Do mesmo modo, o impacto atinge a qualidade do ar, aumentando os riscos à saúde humana, principalmente para pessoas com problemas respiratórios.
Mato Grosso, que já enfrenta desafios relacionados ao desmatamento, agora lida com as consequências de uma combinação perigosa entre a seca extrema e os incêndios florestais. Entretanto, a previsão de chuvas a partir de setembro traz esperança, embora ainda exija atenção e preparação por parte das autoridades e da população.
