A Polícia Civil resgatou dois jovens de uma sessão de tortura, chamada de “salve”, realizada na última quinta-feira (7) em Nova Olímpia, a 204 km de Cuiabá. Agentes agiram após receber uma denúncia e conseguiram localizar os jovens em uma área de mata, onde a facção mantinha as vítimas. Segundo a polícia, a facção planejava executar os jovens. As vítimas apresentavam diversas lesões pelo corpo, consequência da brutalidade imposta pelo grupo como forma de punição.
Conhecido no meio criminal, o termo “salve” refere-se a uma prática de tortura executada dentro das facções. Essa punição visa “disciplinar” membros que rompem com o código interno da organização. Além de punir, a facção usa a violência para intimidar. Além disso, essa estratégia consolida a obediência entre seus membros e impõe o respeito forçado da comunidade ao redor.
Facção usa “tribunal do crime” para punir membros
A prática do “tribunal do crime” não é exclusiva da região. Facções em várias partes do país aplicam esse método de “justiça”. Com essa prática, a facção assume um papel paralelo ao Estado, especialmente em locais de maior vulnerabilidade social. A violência se torna o principal instrumento de poder da facção. Através dela, membros e testemunhas são coagidos. Esse tipo de influência gera um ciclo de silêncio e medo, dificultando o trabalho das autoridades.
No entanto, durante a operação, a polícia identificou que uma das vítimas usava tornozeleira eletrônica, indicando que essa pessoa possivelmente estava em regime de monitoramento judicial. Mesmo assim, ambas as vítimas preferiram manter silêncio sobre os motivos que as levaram a esse “julgamento”. Além disso, esse silêncio reflete a forte pressão exercida pela facção sobre seus integrantes e testemunhas.
Caso desperta atenção para a atuação do crime organizado no estado
O resgate desses jovens mostra a necessidade urgente de combater a influência das facções em Mato Grosso. A presença de grupos organizados, como o Comando Vermelho, desafia diretamente as autoridades.
Por fim, a Polícia Civil iniciou uma investigação para identificar e capturar os envolvidos na sessão de tortura. A operação demonstra o esforço das autoridades para conter o avanço do crime organizado.
