O setor produtivo do Norte de Mato Grosso observa com cautela o novo movimento do governo federal em relação à política de preços dos combustíveis. Após zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou formalmente que os governadores revisem as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Para o produtor rural e o empresário do agronegócio da nossa região, a medida levanta uma questão central: como o alinhamento tributário entre União e Estados pode frear a escalada dos custos de frete e produção?
Logística e o peso do diesel no escoamento da safra
Para quem vive em polos como Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, o preço do diesel não é apenas um número na bomba, mas o principal componente do custo de escoamento da safra. Com a BR-163 funcionando como a espinha dorsal do transporte de grãos até os portos do Arco Norte, qualquer oscilação no valor do combustível impacta diretamente a competitividade do produtor mato-grossense no mercado internacional.
Embora o governo federal tenha anunciado a desoneração de tributos federais, o mercado já sente a pressão. Relatos de sindicatos do setor indicam que distribuidoras repassaram aumentos de até R$ 0,80 por litro antes mesmo de qualquer reajuste oficial da Petrobras. Esse cenário gera incerteza para as transportadoras que operam na região, que precisam repassar o custo extra para o valor final do frete, pressionando as margens de lucro de quem planta e colhe.
O papel do ICMS na economia regional
O ICMS é a principal fonte de arrecadação estadual e o debate sobre sua redução é complexo. O pedido do governo federal coloca os estados em uma posição de escolha difícil: abrir mão de receita ou manter a carga tributária em um momento de alta nos preços globais de energia. Para o empresariado do Norte de Mato Grosso, a expectativa é que qualquer política de redução de impostos seja acompanhada de uma estabilidade que permita o planejamento da safra.
A preocupação é que, sem uma ação coordenada, o custo do diesel continue a subir, corroendo o poder de compra do produtor e encarecendo a logística interna, que já enfrenta desafios estruturais severos durante os períodos de chuva na BR-163.
Impacto direto no bolso do produtor
O setor aguarda agora os próximos desdobramentos dessa negociação entre o Palácio do Planalto e os governadores. A estabilização dos preços dos combustíveis é vista como um fator determinante para a viabilidade econômica das próximas janelas de plantio e colheita. O setor produtivo reforça que, para manter o ritmo de exportação que coloca o Norte de Mato Grosso como protagonista do agro nacional, a previsibilidade nos custos operacionais é tão importante quanto a produtividade no campo.
A redução de PIS e Cofins busca conter a alta imediata, mas o impacto real depende da manutenção dos preços pelas distribuidoras e da postura dos estados quanto ao ICMS.
Por ser um imposto estadual, ele compõe uma fatia significativa do preço final do diesel, que é o principal insumo logístico para o escoamento da produção de grãos pela BR-163.
Sim. Apesar da medida federal, o mercado tem registrado repasses de distribuidoras que elevaram o preço do diesel em diversos estados, gerando preocupação sobre a inflação no transporte.
