Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, enfrenta uma grave crise hídrica há mais de uma semana. O Rio Taxidermista, principal fonte de abastecimento da cidade, secou, e, mesmo com o retorno das chuvas, a população continua sem água. Moradores se mobilizam desde o início da semana para cobrar ações do poder público, levando suas demandas à Câmara Municipal na quarta-feira (9).
Famílias relatam grandes dificuldades, principalmente aquelas com crianças. “Tenho criança em casa, daí vai para a creche e tem que voltar porque não tem água nas creches e escolas”, reclama Miralda Alves, moradora que sofre com o desabastecimento.
Concessionária adota racionamento
A concessionária responsável pelo abastecimento implementou um cronograma de racionamento, mas os moradores afirmam que a medida não resolveu o problema. Segundo relatos, a falta de água começou na segunda-feira (7) e persiste até hoje. “Dizem que estão controlando o fornecimento, mas estamos há dias sem água nas torneiras”, reclama outro morador.
A empresa monitora a situação do Rio Taxidermista e afirma estar trabalhando para minimizar os impactos da seca. No entanto, a população critica a falta de transparência e clareza sobre as ações adotadas.
Ager não se pronuncia sobre o caso
Enquanto a crise se agrava, a Agência Reguladora Estadual (Ager), responsável pela fiscalização dos serviços da concessionária, ainda não se pronunciou. A ausência de uma posição oficial aumenta a insegurança dos moradores, que temem que o problema continue indefinidamente. “Ninguém nos dá uma resposta concreta”, desabafa Miralda Alves.
Impactos na economia e na vida social
A falta de água atinge diretamente o comércio local, que depende do recurso para funcionar. Pequenos comerciantes relatam prejuízos. “Não conseguimos lavar roupas, limpar o estabelecimento ou atender os clientes como deveríamos”, relata um comerciante.
Escolas e creches também sofrem com o desabastecimento, muitas operam de forma limitada ou permanecem fechadas por não conseguirem garantir condições mínimas de higiene.
Soluções emergenciais
Especialistas sugerem medidas como a perfuração de poços artesianos e a criação de reservatórios como alternativas emergenciais. Apesar disso, os moradores continuam sem respostas claras das autoridades sobre a adoção dessas medidas.
Por fim, a crise em Alta Floresta também traz à tona a questão do direito ao acesso à água. A Constituição Federal garante esse direito como essencial, e cabe às concessionárias manterem o fornecimento de forma contínua e de qualidade
