Nos últimos anos, a internet se transformou em um palco para diversas manifestações, a chamada “machosfera” – um movimento virtual que dissemina ódio contra as mulheres – cresce rapidamente, com conteúdos misóginos alcançando milhões de pessoas por meio de vídeos e postagens. A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, expressou preocupação ao analisar os dados revelados em um relatório da NetLab-UFRJ, que documenta o crescimento dessa onda de violência virtual contra as mulheres.
A ‘Machosfera’ e seus impactos: uma comunidade de ódio
O estudo, coordenado por pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisou mais de 76 mil vídeos na plataforma YouTube, publicados em mais de 7 mil canais. Juntas, essas postagens somaram impressionantes 4 bilhões de visualizações. O movimento da machosfera não é apenas um grupo de ódio isolado, mas uma comunidade crescente que explora e promove a misoginia de forma organizada e, surpreendentemente, rentável. Segundo o relatório, os produtores desse conteúdo não apenas recebem dinheiro do YouTube. Porém, incentivam doações via Pix e criptomoedas, além de vender cursos e e-books.
Cida Gonçalves ficou alarmada ao perceber que essa crescente rede de ódio contra as mulheres tem impacto direto na sociedade, reforçando comportamentos violentos e radicais. “Essa violência se reflete não só no aumento dos casos de feminicídio e violência sexual contra as crianças. No entanto, também na naturalização de um comportamento absolutamente inaceitável”, afirmou. Ela também destacou que esse movimento gera desinformação, prejudicando a imagem das mulheres e distorcendo a realidade sobre a luta feminista.
Quando o ódio se torna um negócio lucrativo
O estudo da UFRJ revelou um dado surpreendente: a misoginia não é apenas uma manifestação ideológica, mas se transformou em um negócio lucrativo. Profissionais da machosfera tornaram o ódio uma fonte de lucro. Além dos ganhos com anúncios do YouTube, esses produtores utilizam estratégias de marketing agressivas, oferecendo cursos, livros e outros produtos voltados para o público que compartilha suas ideias. As doações por meio de sistemas como Pix e criptomoedas também servem como meios de arrecadação, tornando a disseminação do ódio uma atividade rentável.
Esse fenômeno vai além da exibição de conteúdos de ódio, sendo estruturado como uma estratégia para angariar mais seguidores e, consequentemente, mais dinheiro. A ministra Cida Gonçalves ressaltou que a monetização da misoginia está diretamente ligada ao crescimento de outros problemas sociais, como o aumento da violência contra as mulheres e o processo de silenciamento das mulheres na política. “Essa forma de violência é parte de um ciclo que atinge as mulheres não só fisicamente, mas também emocional e psicologicamente”, completou.
A violência digital e suas consequências no mundo real
A machosfera não se limita ao espaço digital. O relatório mostrou que os impactos dessa rede de ódio ultrapassam as fronteiras da internet, afetando a realidade das mulheres de diversas maneiras. Em 2020, o Brasil registrou um aumento significativo no número de feminicídios e casos de violência doméstica. Então, demonstra que a desinformação e a misoginia online alimentam comportamentos violentos no mundo real. Segundo Cida Gonçalves, o crescimento desse movimento reflete diretamente na violência física, emocional e institucional contra as mulheres.
A ministra também destacou o impacto da misoginia nas eleições, onde as mulheres continuam a ser sub-representadas. Embora tenha ocorrido um aumento de 1% no número de vereadoras e prefeitas, a presença das mulheres na política ainda é extremamente reduzida. Assim, muitas enfrentam dificuldades como interrupções constantes durante suas falas e ataques nas redes sociais. “O simples ato de uma mulher se inscrever para disputar uma vaga na política pode gerar uma avalanche de ataques e tentativas de silenciamento”, afirmou.
O que é a “machosfera” e por que ela é considerada perigosa?
A machosfera é um movimento virtual de ódio contra as mulheres, que promove misoginia e violência. Ela cresce nas redes sociais, com conteúdos que incentivam discriminação e ódio contra o sexo feminino.
Como a “machosfera” se tornou uma fonte de lucro?
Além de receber dinheiro com anúncios do YouTube, os produtores de conteúdo da machosfera incentivam doações via Pix e criptomoedas e vendem produtos como cursos e e-books, monetizando a disseminação de ódio.
Quais são os impactos da machosfera na política?
A machosfera contribui para o silenciamento das mulheres, com ataques a candidatas e aumento das dificuldades enfrentadas por elas nas eleições, além de reduzir a representação feminina no poder legislativo.
