O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, acusou os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Chile, Gabriel Boric, de agirem como “agentes da CIA”, a agência de inteligência dos Estados Unidos. Durante uma entrevista ao programa “Análisis Situacional”, da emissora Globovisión, Saab afirmou que ambos fazem parte de uma esquerda latino-americana que foi “capturada” pelos interesses norte-americanos. Ele sugeriu que tanto Lula quanto Boric teriam mudado suas posturas políticas e ideológicas, alegando que esses líderes agora colaboram com a CIA para influenciar a política na região.
Acusações diretas da Venezuela contra Lula e Boric
Tarek William Saab atacou diretamente o presidente brasileiro, afirmando que Lula mudou significativamente desde sua saída da prisão. Segundo o procurador, Lula “não é o mesmo fisicamente nem na forma como se expressa” comparado à figura que liderava os movimentos sindicais no Brasil. Saab insinuou que Lula, ao sugerir uma mediação entre Maduro e a oposição venezuelana, age em nome de interesses estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos. O procurador criticou essa postura, acusando Lula de tentar intervir nos assuntos internos da Venezuela e questionando: “Quem é você para agir como o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela?”.
Em relação ao presidente chileno, Gabriel Boric, Saab foi ainda mais contundente. Ele acusou Boric de trair a juventude chilena que lutou contra o ex-presidente Sebastián Piñera durante os protestos sociais em 2019. Segundo o procurador, Boric agora trabalha em conjunto com a CIA para desestabilizar governos progressistas na América Latina. Boric criticou publicamente o governo de Maduro, chamando-o de ditadura, e pediu que se reconheça a vitória do opositor Edmundo González Urrutia, o que gerou grande atrito com o governo venezuelano.
Contexto das tensões diplomáticas
Essas acusações de Saab surgiram após as eleições presidenciais venezuelanas de julho de 2024, que resultaram na reeleição de Nicolás Maduro. Tanto Lula quanto Boric expressaram preocupações sobre a legitimidade do processo eleitoral, com Boric classificando o resultado como fraudulento. As eleições venezuelanas foram marcadas por protestos e episódios de violência, que deixaram 28 mortos, incluindo dois militares. Essas mortes reforçaram as críticas internacionais ao governo de Maduro e aumentaram a pressão por sanções e intervenções externas.
As acusações de Saab fazem parte de uma narrativa do governo venezuelano, que denuncia a interferência estrangeira como uma tentativa de minar a soberania. Saab, que também atua como uma das principais vozes do governo Maduro, utiliza essa retórica para justificar a repressão contra a oposição. Assim, tenta afastar críticas internacionais sobre a crise econômica e política que a Venezuela enfrenta.
Reações e possíveis consequências
Até o momento, nem Lula nem Boric responderam publicamente às acusações de Saab. No entanto, analistas políticos enxergam essas declarações como uma estratégia para desviar a atenção dos problemas internos da Venezuela. Para muitos, Saab busca criar um inimigo externo, culpando figuras políticas importantes da região por uma suposta interferência na política venezuelana.
Essa retórica também pode refletir uma crescente tensão entre a Venezuela e seus vizinhos latino-americanos, especialmente Brasil e Chile, que adotaram posturas mais críticas ao governo Maduro. Enquanto Lula tenta promover uma solução negociada para a crise venezuelana, Boric mantém uma posição mais confrontadora. No entanto, pode intensificar o isolamento diplomático da Venezuela na região.
