O juiz Márcio Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, rejeitou o pedido de recuperação judicial da empresa Imagem Serviços de Eventos Eireli. A empresa cancelou eventos de formatura contratados por estudantes de direito e medicina, causando prejuízos milionários. Na decisão desta última segunda-feira (3), Guedes acusou a defesa de agir com negligência e descumprir exigências processuais.
A empresa atribuiu à causa um valor de apenas R$ 1.500,00, ignorando o passivo milionário que acumula. “A empresa indicou o valor da causa em completo desacordo com a realidade”, afirmou o magistrado, que classificou a postura da defesa como desleixada e incoerente com o ordenamento jurídico.
Empresa alega impacto da pandemia, mas omite documentos essenciais
A Imagem Serviços de Eventos justificou os problemas financeiros como consequência direta da pandemia de Covid-19, que afetou suas atividades a partir de 2020. A empresa, que atua há mais de 25 anos no setor, disse ter enfrentado inadimplência crescente e alegou precisar de recuperação judicial para se manter no mercado.
Guedes, porém, verificou falhas graves no processo. A empresa não apresentou balanços patrimoniais, certidões, extratos bancários nem outros documentos exigidos por lei. “A ausência quase completa de documentos necessários impede qualquer análise criteriosa do pedido”, destacou o juiz.
Repercussão negativa e pedido de sigilo contraditório
O magistrado também criticou o pedido de sigilo feito pela empresa, que já enfrenta ampla repercussão nacional. A Imagem Serviços de Eventos suspendeu seu site oficial e desativou perfis nas redes sociais, deixando clientes e fornecedores sem respostas. Veículos de imprensa repercutiram o caso em todo o país.
“O processo tramita sob sigilo enquanto a empresa já figura como destaque em noticiários nacionais. Essa contradição enfraquece ainda mais a credibilidade da defesa”, pontuou Guedes.
Estudantes denunciam prejuízo milionário
Formandos da Universidade de Cuiabá (Unic) e do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) relataram prejuízos significativos. A turma de medicina da Univag informou ter repassado cerca de R$ 1,2 milhão à empresa, que cancelou os eventos em cima da hora. Muitos estudantes, já com pagamentos integralmente realizados, agora enfrentam incertezas e prejuízos.
A Justiça concluiu que a Imagem Serviços de Eventos paralisou suas atividades essenciais e não demonstra capacidade de retomar operações. “A empresa evidenciou a descontinuidade de suas atividades empresariais. Não apresentou condições de reerguer ou manter suas operações”, finalizou o juiz.
Perguntas frequentes
O juiz identificou ausência de documentos essenciais, como balanços patrimoniais e extratos bancários, além de incoerências no valor da causa.
Formandos de cursos como medicina e direito, que pagaram por festas de formatura canceladas, com prejuízos que superam R$ 1,2 milhão.
A Imagem Serviços de Eventos culpou a pandemia de Covid-19, afirmando que a crise financeira resultou de alta inadimplência.
