Na noite de segunda-feira, 14 de outubro, passageiros de um trem da Linha 9-Esmeralda enfrentaram momentos de pânico ao presenciarem um princípio de incêndio no veículo. O incidente ocorreu próximo à estação Granja Julieta, na Zona Sul de São Paulo, e causou apreensão entre os ocupantes. Os vídeos gravados pelos passageiros mostram o fogo e explosões vindas da área do pantógrafo, a parte do trem que conecta a rede elétrica ao veículo. No vídeo, é possível ouvir gritos e ver passageiros assustados com a situação.
A ViaMobilidade, concessionária responsável pela linha, confirmou que os agentes de atendimento agiram rapidamente para apagar as chamas. A empresa garantiu que ninguém se feriu durante o incidente. A concessionária também informou que, após o ocorrido, os passageiros foram transferidos para outra composição e seguiram viagem em segurança.
Falhas na operação da linha 9-Esmeralda
O incidente desta segunda-feira fez a ViaMobilidade operar os trens em via única entre as estações Granja Julieta e Morumbi, o que aumentou o intervalo entre os trens. O problema se soma a outras falhas recentes, gerando críticas quanto à qualidade dos serviços prestados pela concessionária. Passagens de atraso e interrupções frequentes já vinham alimentando o descontentamento dos passageiros, e o incêndio reforçou ainda mais essas queixas.

Os passageiros relataram, nas redes sociais, a falta de manutenção adequada, apontando para a gravidade do incidente e o risco potencial de tragédias maiores. Vídeos que circulam na internet mostram o fogo sendo controlado pelos agentes, mas o clima de tensão entre os usuários permaneceu evidente durante toda a ação.
Críticas às privatizações no transporte público
As recentes falhas operacionais da ViaMobilidade, reacenderam as críticas sobre a privatização do transporte público em São Paulo. Muitos usuários e especialistas apontam que, desde que empresas privadas assumiram a gestão de linhas ferroviárias, os problemas se tornaram mais frequentes. Eles alegam que a busca por lucro, associada a uma possível falta de fiscalização adequada, resulta em manutenção precária e, consequentemente, em um aumento de falhas técnicas graves
Movimentos sociais e grupos de defesa do transporte público defendem que a privatização tem gerado mais prejuízos do que benefícios aos passageiros. Eles argumentam que o modelo de concessão prioriza interesses financeiros em detrimento da qualidade do serviço, levando à redução de investimentos em infraestrutura e manutenção. Além disso, muitos defendem que o setor público teria maior capacidade de garantir um serviço de qualidade e seguro, com menor risco de incidentes como o ocorrido na Linha 9-Esmeralda
Apagões e instabilidade no fornecimento de energia
Além dos problemas no transporte, São Paulo também enfrenta uma crise no fornecimento de energia elétrica. Na sexta-feira, 14 de outubro, um temporal atingiu a região, deixando mais de 2,1 milhões de imóveis sem luz. A Enel, responsável pela distribuição de energia, recebeu severas críticas pela lentidão na retomada do serviço. Então, o Ministério de Minas e Energia abriu um processo disciplinar contra a empresa, e o ministro Alexandre Silveira anunciou que a concessão da Enel pode ser revogada se os problemas persistirem.
Mesmo após três dias do temporal, cerca de 400 mil imóveis continuavam sem energia na Grande São Paulo. O governo deu à Enel um prazo de três dias para resolver os problemas mais críticos. Assim, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanhará o processo, e o governo federal não descarta a possibilidade de intervir na administração da concessionária.
