O deputado Gilberto Cattani (PL) gerou polêmica ao comentar a investigação da Polícia Federal sobre um possível golpe de Estado envolvendo militares e apoiadores de Jair Bolsonaro. Cattani afirmou que, embora houvesse um planejamento para o golpe, isso não configura crime, pois não houve execução da ação. Segundo ele, “se eu não sair para cometer esse crime, não existe crime”, argumentando que a intenção sozinha não é suficiente para configurar uma infração.
Gilberto Cattani afirma que "arquitetura de tentativa de golpe não é crime" pic.twitter.com/AG3WZN9Q20
— O Matogrossense (@o_matogrossense) December 3, 2024
Além disso, Cattani destacou que a ideia de um golpe não envolvia ações violentas, como o assassinato de figuras políticas. Ele refutou as alegações da Polícia Federal de que o golpe teria como alvo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O deputado afirmou categoricamente que “não era uma arquitetura de tentativa de matar três pessoas”, dissociando o planejamento de qualquer intento de violência extrema.
Defesa de Bolsonaro: “Honesto e Íntegro”
Em relação ao ex-presidente Bolsonaro, Cattani foi ainda mais enfático em sua defesa. Para ele, Bolsonaro é um “homem honesto e íntegro”, e o deputado negou qualquer irregularidade no comportamento do ex-presidente durante os eventos investigados. Quando questionado sobre a acusação de prevaricação, ou seja, sobre a alegada falha de Bolsonaro em denunciar o suposto golpe, Cattani defendeu o ex-presidente com veemência. “Bolsonaro é um cara idôneo, íntegro, um cara honesto”, disse, reforçando que o ex-presidente não tinha motivo algum para alertar as autoridades sobre o planejamento do golpe, uma vez que, na visão de Cattani, nada de ilegal ocorreu.
Investigação aponta envolvimento de Bolsonaro
Por outro lado, a Polícia Federal revelou novos detalhes da investigação, indicando que o ex-presidente Bolsonaro estava diretamente envolvido no planejamento do golpe. Documentos coletados pela PF sugerem que o planejamento teve o apoio de um núcleo jurídico dentro do Palácio do Planalto. A investigação também revelou que o ex-presidente havia agendado a assinatura de um documento relacionado ao plano golpista em dezembro de 2022. Essas revelações geraram mais questionamentos sobre as responsabilidades políticas de Bolsonaro e seus aliados, além de fortalecer o debate sobre os limites da ação política em um contexto tão grave.
Dessa forma, o caso continua a dividir opiniões no cenário político. Por um lado, Cattani minimiza as implicações legais do planejamento de golpe, alegando que não houve execução do ato criminoso. Por outro, a investigação da Polícia Federal coloca em evidência o envolvimento de Bolsonaro em um possível atentado à democracia. À medida que novos fatos surgem, o debate sobre as responsabilidades políticas e legais dos envolvidos ganha mais força, desafiando as fronteiras entre a liberdade política e a manutenção da ordem constitucional no Brasil.
