O Ministério Público do Mato Grosso (MPMT) iniciou uma investigação para apurar suspeitas de apoio de uma facção criminosa a vereadores eleitos em Cuiabá. O prefeito eleito Abilio Brunini (PL) denunciou que a facção teria financiado campanhas e direcionado votos na eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal. O caso agora está sob o comando do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, que prometeu investigar com rigor as denúncias. A situação revela um cenário preocupante: o crime organizado estaria tentando ganhar influência sobre a política local.
Gaeco apura denúncia de que vereadores de Cuiabá teriam sido eleitos com apoio de facção pic.twitter.com/OCnGXjq0N2
— O Matogrossense (@o_matogrossense) November 13, 2024
Gaeco assume a investigação e aprofunda denúncias
O procurador de Justiça Domingos Sávio, em vídeo nas redes sociais, confirmou que o Gaeco está investigando as alegações de Brunini. Ele destacou que a denúncia é grave e exige atenção. Sávio reforçou que o crime organizado atua em várias partes do Brasil para ocupar espaço dentro do poder público, algo que já ocorre em outras regiões. Segundo ele, as facções entenderam a importância de controlar setores do governo para garantir seus interesses e expandir suas atividades.
“O crime organizado se mobiliza para penetrar nas estruturas da administração pública e expandir seus tentáculos no país inteiro”, declarou o procurador, sublinhando o potencial destrutivo da infiltração criminosa na política.
Prefeito afirma que vereadores receberam ofertas para votar com facção
Abilio Brunini revelou que vereadores eleitos receberam ofertas de R$ 200 mil para votar conforme as orientações da facção na escolha da Mesa Diretora. Embora não tenha citado nomes, Brunini assegurou que entregou à Polícia Federal uma lista com os possíveis envolvidos. Ele explicou que as investigações seguem em sigilo, mas espera que a Polícia Federal chegue a uma conclusão.
Além disso, em entrevista, Brunini mencionou que “dois ou três” vereadores podem ter aceitado a proposta, embora essa informação dependa da apuração oficial. O caso surge em um momento de grande atenção sobre o crime organizado, com as recentes operações “Ragnatela” e “Pubblicare”, da Polícia Federal, que investigaram a presença de facções em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no Mato Grosso.
Contexto e antecedentes das operações policiais
As operações Ragnatela e Pubblicare, realizadas em 2023 pela Polícia Federal, desmantelaram redes criminosas que se infiltravam na administração pública no Mato Grosso. As investigações trouxeram à tona o esforço das facções para ocupar espaços na política local. Com essas brechas, conseguem eleger representantes para atuar em seus interesses.
