Neste domingo (27), o ex-presidente boliviano Evo Morales, atual líder da oposição ao governo de Luis Arce, denunciou uma tentativa de assassinato enquanto viajava pela região de Cochabamba. Segundo Morales, homens encapuzados abriram fogo contra seu veículo, ferindo o motorista. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele relatou que o carro foi atingido por pelo menos 14 disparos. “Hoje salvamos nossas vidas”, declarou o ex-presidente, que responsabiliza o governo de Arce pela suposta tentativa de assassinato.
Morales relaciona o ataque a conflitos com o governo de Arce
Morales atribui o atentado ao que ele descreve como uma estratégia do governo de Luis Arce para eliminá-lo. De acordo com o ex-presidente, Arce, atual líder do país e também integrante do MAS (Movimento ao Socialismo), busca encerrar o “processo” iniciado em seu governo e “destruir a Bolívia”. Esse atentado intensifica ainda mais a disputa de poder entre Morales e Arce, especialmente porque ambos pretendem se posicionar como candidatos nas eleições presidenciais de 2025.
Embora as autoridades ainda não tenham confirmado oficialmente os detalhes do ataque, imagens divulgadas pela rádio Kawsachun Coca mostram buracos de bala no para-brisa do carro de Morales e seu motorista ferido na cabeça. Anyelo Céspedes, deputado próximo ao ex-presidente, afirmou que logo após o ataque, seis homens partiram de helicóptero da região de Chimoré, sugerindo, embora sem provas, que militares ou policiais poderiam estar envolvidos no incidente.
Conflitos, bloqueios e mobilizações em meio a investigações
A crise política na Bolívia se intensifica, enquanto apoiadores de Morales promovem bloqueios e manifestações em várias regiões. Os protestos respondem ao que consideram uma “perseguição judicial” contra Morales, investigado por suposto abuso de uma menor. Desde 14 de outubro, os bloqueios interrompem rodovias, causando escassez de combustíveis e aumento dos preços de itens básicos, especialmente em Cochabamba, onde Morales tem forte apoio.
Em resposta à intensificação dos protestos, Luis Arce decidiu substituir a cúpula militar e orientou as Forças Armadas a priorizarem a ordem pública. Durante o anúncio, Arce afirmou que o “direito ao protesto pacífico” é garantido, mas ressaltou que, “quando viola os direitos de locomoção e circulação, cria um grave conflito no país”. Para ele, as ações “desestabilizadoras” promovidas por Morales ameaçam diretamente a estabilidade democrática da Bolívia.
Apelo do governo à comunidade internacional
Os bloqueios causaram grandes prejuízos econômicos ao país. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Produtivo, as perdas já ultrapassam US$ 1,2 bilhão, impactando severamente os preços dos produtos básicos e dificultando o abastecimento de combustíveis em diversas regiões.
Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores boliviano emitiu um comunicado pedindo que a comunidade internacional permaneça atenta à situação, alertando para as possíveis consequências regionais da instabilidade na Bolívia. A Administração Boliviana de Estradas registra atualmente 16 pontos de bloqueio, sendo a maioria concentrada em áreas de influência de Morales.
Esse episódio evidencia a gravidade da atual instabilidade política e a crescente divisão interna no MAS, agravada pela rivalidade cada vez mais intensa entre Luis Arce e Evo Morales.
