Na manhã de terça-feira (29/10), o leilão promovido na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) marcou o início do projeto de Parcerias Público-Privadas (PPP) para a construção e gestão de escolas estaduais em SP, iniciativa que gerou intensos protestos e discussões entre figuras públicas. O ponto alto do evento ocorreu na entrada da B3, onde o deputado estadual Lucas Bove (PL) e a presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Camila Lisboa, protagonizaram um bate-boca em meio a protestos de manifestantes contrários à privatização de serviços públicos.
Entenda a discussão do deputado sobre privatização durante o leilão na B3
Durante o evento, Camila Lisboa se aproximou de Lucas Bove, registrando o momento em um vídeo para as redes sociais. No vídeo, ela o chamou de “privatista” e “agressor”, em alusão a acusações de violência doméstica feitas por sua ex-mulher, a influenciadora Cíntia Chagas. Em resposta, Bove entrou no prédio e também publicou um vídeo nas redes, declarando abertamente sua intenção de “privatizar o estado inteiro”, mencionando serviços essenciais como o Metrô, escolas e a Fundação Casa. Segundo o deputado, a privatização traria um impacto direto nos sindicatos, que “perderiam empregos”.
A defesa de Bove rebateu as acusações de violência, afirmando que ele enfrenta um processo envolvendo apenas alegações de agressão psicológica. Além disso, classificou as acusações de sua ex-esposa como uma tentativa de manchar sua reputação.
Qual o contexto do projeto de privatização?
O leilão realizado integra o projeto lançado pelo governador Tarcísio, para construir e gerenciar 33 novas escolas públicas em uma parceria com o setor privado, com contratos de concessão de até 25 anos. A promessa do governo é criar mais de 35 mil vagas, no entanto há uma preocupação coma privatização integral do ensino público no estado. A licitação inicial incluiu 17 escolas e contou com a empresa Engeform Engenharia como vencedora, que administrará o lote por um valor total de R$ 3,38 bilhões ao longo do contrato.
A proposta de Tarcísio busca modernizar a infraestrutura educacional, mas encontra forte resistência. Pois, políticos e sindicatos, que temem a perda de controle do setor educacional público. A oposição vê a medida como um precedente perigoso, capaz de abrir espaço para a expansão da privatização em áreas como saúde e segurança pública.
Polêmicas no debate público
A declaração de Bove, especialmente ao afirmar que “o estado de São Paulo inteiro será privatizado”, reforçou a tensão com grupos. De acordo com o Sindicato dos Metroviários e com a Apeoesp (Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), o projeto ameaça a qualidade do ensino público. As deputadas estaduais Professora Bebel (PT) e Andréa Werner (PSB), entre outros parlamentares, também se posicionaram contrariamente. Além disso, alegando que a privatização favorece empresas privadas em detrimento da população.
Entre os defensores do projeto, o governo Tarcísio alega que a privatização será limitada à gestão e manutenção de infraestrutura e não afetará a contratação de professores, que permanecerá sob responsabilidade da Secretaria de Educação. No entanto, críticos apontam que, com empresas privadas administrando partes das escolas, o setor educacional pode acabar distorcido em favor dos interesses de mercado. Por fim, levando à precarização dos empregos e comprometendo o direito ao ensino público de qualidade.
