Marco Willians Herbas Camacho, amplamente conhecido como Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), teve uma infância marcada por um episódio bastante curioso. Muito antes de se tornar uma das figuras mais temidas do crime organizado no Brasil, Marcola participou de uma excursão escolar ao famoso programa de TV Sílvio Santos, onde recebeu um presente inesperado do apresentador: um par de tênis.

A revelação no documentário “O Grito – Regime Disciplinar Diferenciado”
Noêmia Oliveira, tia de Marcola, revelou essa história surpreendente no documentário O Grito – Regime Disciplinar Diferenciado, disponível na plataforma Netflix. As empresas K2 e Real Filmes realizaram a produção, que traça um panorama da vida dos presos sob o rígido controle do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), implementado nas prisões brasileiras desde 2003. O documentário apresenta relatos de juízes, advogados, policiais e familiares, trazendo à tona os impactos do isolamento imposto pelo regime.
No depoimento, Noêmia compartilhou que, durante a excursão, Marcola ganhou um par de tênis de presente de Sílvio Santos, mas o que deveria ser um momento feliz acabou causando ciúmes em seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, conhecido como Marcolinha. Para evitar mais conflitos, Noêmia teve que comprar um par de tênis semelhante para Alejandro, porém com cores diferentes para evitar confusões. “Só as cores eram diferentes para não misturar”, comentou ela no documentário.
Marcola e Marcolinha: caminho da infância ao crime
O documentário também revela detalhes sobre a infância de Marcola e seu irmão Alejandro. Conforme relatado por Noêmia, ambos eram crianças muito inteligentes e sempre tiveram uma boa estrutura em casa, mas, apesar disso, acabaram se envolvendo com o crime. Ela lembrou o momento em que Marcola foi levado pela primeira vez à Fundação Casa (antiga Febem), após furtar um pacote de bolachas. Ao vê-lo descalço, Noêmia o repreendeu: “Você tem tudo e não precisa fazer isso”, disse ela, expressando tristeza com a situação.
A jornada dos irmãos Herbas Camacho no mundo do crime começou cedo. Marcola logo se destacou pela liderança no PCC, consolidando sua posição como um dos criminosos mais poderosos do país. Alejandro também seguiu um caminho semelhante, e Noêmia relatou o quanto ficou angustiada ao saber que ele havia sido preso após sair para uma viagem, depois de ela mesma ter arrumado sua mala. Nesse momento, Marcola já estava preso.
Isolamento no regime disciplinar diferenciado
Desde fevereiro de 2019, Marcola e Alejandro estão presos em um presídio federal. Ambos foram transferidos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, depois que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) descobriu um plano do PCC para resgatar Marcola. A transferência tinha como objetivo impedir qualquer tentativa de fuga e isolar ainda mais o líder da facção.
O Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), destacado no documentário, é um dos sistemas mais rigorosos aplicados nas prisões brasileiras. Ele impõe um isolamento quase completo aos detentos, com visitas extremamente restritas e controle rígido sobre a comunicação com o mundo exterior. A finalidade principal é impedir que líderes de organizações criminosas, como Marcola, continuem a exercer poder e influência fora da prisão.
O lado humano de Marcola
Os relatos de Noêmia no documentário revelam um lado mais humano de Marcola, raramente discutido. Ela relatou episódios da infância de Marcola, destacando o presente recebido de Sílvio Santos. Além disso, ela mencionou as broncas que ele recebeu na juventude. Ao compartilhar essas histórias, ela revelou aspectos importantes de uma fase anterior à entrada de Marcola no mundo do crime. Embora tenha se tornado uma figura central no crime organizado no Brasil, esses momentos mostram uma faceta mais simples e menos conhecida de sua trajetória.
O documentário O Grito – Regime Disciplinar Diferenciado oferece uma visão mais profunda e detalhada sobre a vida dos presos sob o RDD, bem como o impacto que esse regime tem em suas famílias. Ele expõe como esses detentos, mesmo isolados, continuam a influenciar o cenário do crime organizado no Brasil.
