O cacique-geral do povo Khĩsêtjê, Khuiusi Suyá, morreu aos 80 anos e deixou um legado marcado pela defesa dos direitos dos povos indígenas, da preservação cultural e da proteção dos territórios tradicionais de Mato Grosso. A morte foi divulgada nesta sexta-feira (4) e gerou manifestações de pesar de lideranças e instituições ligadas à causa indígena, que destacaram sua trajetória de luta e resistência em favor dos povos originários.
Entre as homenagens estão as do Instituto Raoni, da Associação Indígena Khĩsêtjê (AIK) e do senador Carlos Fávaro (PSD). As entidades ressaltaram que Khuiusi dedicou a vida à proteção da cultura, das tradições e do território de seu povo, tornando-se uma das principais referências indígenas do estado e do país.
Liderança surgiu ainda na juventude
Segundo a Associação Indígena Khĩsêtjê, Khuiusi assumiu a liderança ainda jovem, depois de perder o pai e grande parte dos homens mais velhos de sua comunidade durante o período de contato com os não indígenas. Apesar de não falar português e não saber ler ou escrever na língua, conduziu seu povo em importantes mobilizações pela defesa dos territórios tradicionais.
Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma das maiores lideranças indígenas de Mato Grosso. Além disso, conquistou o respeito de diferentes povos por sua sabedoria, firmeza e compromisso permanente com os direitos coletivos das comunidades indígenas.
Luta garantiu preservação de território tradicional
Na década de 1990, Khuiusi liderou o movimento pela recuperação de parte das terras tradicionais localizadas na bacia do rio Suiá-Miçu. A mobilização resultou na criação da Terra Indígena Wawi, considerada uma conquista importante para a proteção do Território Indígena do Xingu.
O Instituto Raoni destacou que o líder manteve uma relação de respeito e parceria com o cacique Raoni Metuktire, que o tratava como um sobrinho. A entidade também afirmou que Khuiusi dedicou toda a sua vida à defesa de seu povo e da preservação do território indígena.
Homenagens destacam legado de resistência
O senador Carlos Fávaro também lamentou a morte do cacique-geral e ressaltou sua coragem, dedicação ao povo Khĩsêtjê e atuação constante na defesa dos direitos indígenas. A manifestação reforçou o reconhecimento da importância de Khuiusi para a história dos povos originários de Mato Grosso.
Já a Associação Indígena Khĩsêtjê afirmou que a trajetória do líder continuará inspirando as futuras gerações. Conforme a entidade, sua atuação fortaleceu a preservação da cultura, das tradições e da identidade indígena, além de contribuir para importantes avanços na proteção dos territórios tradicionais.
Com uma vida dedicada à resistência e à valorização dos povos originários, Khuiusi Suyá deixa uma herança marcada pelo compromisso com sua comunidade e pela defesa permanente dos direitos indígenas em Mato Grosso e no Brasil.
