A história de Anne e suas tutoras
A macaca-prego Anne tornou-se o centro de uma batalha judicial que envolve emoções, burocracias e questões legais. Criada por Rosemary Rodrigues, 51 anos, e sua filha Vitória Gabriela Rodrigues, 24, Anne chegou à família como um presente especial em fevereiro deste ano. O marido de Vitória, que não podia ter filhos, comprou a primata por R$ 30 mil de um criadouro em Santa Catarina para realizar o sonho de paternidade da jovem. Tragicamente, ele faleceu um mês após a compra, deixando a macaca como uma memória viva de seus planos de família.
Drama e justiça: A luta de uma família para reaver a Macaca-Prego Anne; VEJA VÍDEO pic.twitter.com/2gbChA5Sxw
— O Matogrossense (@o_matogrossense) December 20, 2024
Mãe e filha criaram Anne por quase um ano em Ponte Alta do Gama, no Distrito Federal, até que um fiscal do Ibama a apreendeu em um shopping de Brasília, alegando irregularidades nos documentos. Desde então, a família luta para reaver o animal, que se tornou um símbolo de afeto e superação para as tutoras.
Apreensão polêmica e impasse jurídico
O incidente ocorreu em 16 de novembro, quando Rosemary e Vitória passeavam com Anne em um shopping. Um fiscal do Ibama abordou as tutoras e orientou que levassem a macaca ao instituto para regularizar a documentação. Ao chegarem lá, descobriram que Anne não poderia voltar para casa. “Pensamos que tudo era regular. Quem vendeu disse que estava tudo certo e que poderíamos passear com ela”, afirmou Rosemary.
A família decidiu levar o caso à Justiça. Na última quarta-feira (18/12), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou que o Ibama devolvesse Anne às tutoras dentro de 48 horas, até que houvesse uma decisão final no processo. No entanto, o Ibama alegou não ter recebido a notificação oficialmente, complicando ainda mais o cumprimento da ordem judicial.
Questões legais e o destino de Anne
O caso levanta debates sobre a compra e criação de animais silvestres no Brasil. Embora criadouros autorizados possam comercializar espécies como a macaca-prego, a posse exige documentação e regularizações específicas que muitos compradores desconhecem. A apreensão de Anne reflete o rigor das leis ambientais brasileiras, mas também expõe a falta de clareza na comunicação entre criadouros, compradores e órgãos fiscalizadores.
Enquanto isso, a espera por Anne gera angústia na família. Além disso, Rosemary destacou o impacto emocional da separação: “Ela é como parte da nossa família. Cada dia longe é doloroso”. Com o prazo para devolução se encerrando nesta segunda-feira (23/12), o impasse segue sem resolução clara.
Perguntas frequentes
O Ibama alegou que a documentação para a posse de Anne estava irregular, impossibilitando sua devolução à família.
Sim, o TRF-1 ordenou que o Ibama devolvesse a macaca em até 48 horas, mas o instituto alegou não ter recebido a notificação.
Sim, as pessoas podem ter o animal se o comprarem de um criadouro autorizado e cumprirem todas as exigências legais.
