Nos mais variados Tribunais do País das maravilhas a justiça tem preço — e não é simbólico. Neles a balança pesa em favor de quem tem o bolso mais fundo, enquanto sentenças passeiam de mãos em mãos como mercadorias raras em um mercado clandestino de luxo.
De um lado, um Magistrado pertencente ao esquema ilegal que deveria ser “imparcial”, à noite troca a toga pelo pijama de seda comprado com as cifras que nunca saíram da sua conta oficial. Do outro, um advogado da rede ilegal de compra e venda de decisões Judiciais, exatamente aquele que não se preocupa em estudar a lei, porque já tem o número do lobista na discagem rápida. E, no meio dessa dança, um lobista — maestro da orquestra criminosa — que sabe a quem sussurrar no ouvido certo para garantir que a decisão judicial vire um ativo negociável.
O esquema é simples: uma decisão que poderia ser fruto de competência vira um investimento. Às compras e vendas são discutidas em jantares caros, enquanto a justiça real, aquela cega e imparcial, agoniza na fila de processos esquecidos.
Mas é curioso, não? Esses gênios do crime, que se acham acima da lei, esquecem que o talento, quando genuíno, dispensa atalhos imorais. Porque, no fim das contas, o que move esse pequeno clube de corruptos não é a necessidade, é a vaidade — a urgência de ser o mais rico, ainda que o título futuramente será ostentado no cemitério. Ninguém leva daqui nada que roubou!
O problema? Eles não morrem sozinhos. Enquanto fazem fortuna, a sociedade paga o preço. O cidadão comum, que confia na justiça, se torna refém de um sistema com personas que não se guiam pela lei, mas pela oferta e demanda.
E para quê? Para ostentar poder em vida e ser lembrado em morte como aquele que subtraiu o que nunca lhe pertenceu? No fim, mais do que ilegal e imoral, vender sentenças é a prova de que, para quem não tem competência, resta apenas o caminho mais curto e mais sujo.
A pergunta que fica é: vale mesmo a pena ser o rei dos tolos, quando a verdadeira glória está em dormir com a consciência limpa?
Texto: Ana Lúcia Ricarte
