O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou à Rússia de maneira sigilosa para participar da cúpula dos BRICS, que ocorre em Kazan, nos dias 22 e 23 de outubro de 2024. O presidente russo, Vladimir Putin, convidou pessoalmente Maduro, mas a presença do venezuelano no evento gerou incertezas até o último momento. Essa visita acontece em um contexto de importantes debates sobre a expansão do grupo e a reconfiguração das alianças internacionais, sobretudo em um momento de crescente confronto com o Ocidente.
O convite e as incertezas diplomáticas
Putin decidiu incluir Maduro na lista de convidados para a cúpula, apesar de inicialmente o nome do venezuelano não estar entre os países prioritários para participar do encontro. A exclusão de Maduro, em um primeiro momento, refletiu a resistência de alguns membros do BRICS, em especial do Brasil. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tem adotado uma postura cautelosa em relação à Venezuela, principalmente após as eleições contestadas no país, que resultaram em tensões políticas internas. O Brasil expressou desconforto em apoiar Maduro devido às repressões no país e ao impacto nas relações diplomáticas entre os dois governos.
No entanto, a forte aliança entre Maduro e Putin pesou na decisão de estender o convite. A Rússia, ao enfrentar sanções intensificadas pela guerra na Ucrânia, busca fortalecer suas alianças com regimes que desafiam a hegemonia ocidental, e a Venezuela desempenha um papel estratégico nesse contexto. Ao se unir aos BRICS, Maduro espera ganhar legitimidade internacional e aumentar o apoio econômico para a Venezuela, que enfrenta sérias dificuldades.
A importância da cúpula para Maduro e os BRICS
A cúpula dos BRICS de 2024 foca em “Fortalecer o multilateralismo para um desenvolvimento global justo e seguro”. Maduro enxerga a participação nesse evento como uma oportunidade para consolidar laços com potências emergentes, como China e Rússia, além de promover a Venezuela como um ator relevante em um mundo multipolar. Sua agenda principal inclui atrair investimentos e apoio internacional para contornar as sanções que têm prejudicado gravemente a economia venezuelana.
Maduro também busca usar a cúpula dos BRICS como plataforma para reforçar seu papel no cenário geopolítico. Ele defende uma nova ordem mundial onde os países em desenvolvimento têm maior influência nas decisões globais, além de desafiar as estruturas tradicionais dominadas por potências ocidentais. A Venezuela, através dessa aliança, espera fortalecer sua posição e conquistar parceiros comerciais que ajudem a revitalizar sua economia, altamente dependente do petróleo.
Desafios para a expansão dos BRICS
A presença de Maduro ocorre em um momento em que o bloco dos BRICS discute a expansão de seus membros. Recentemente, o grupo incluiu países como Arábia Saudita e Egito, e continua a explorar novas alianças. No entanto, as diferenças políticas e econômicas entre os membros criam desafios para a coesão interna do grupo. A inclusão da Venezuela poderia aprofundar essas divisões, principalmente devido à resistência de países como o Brasil, que mantêm reservas sobre o governo de Maduro.
Além disso, os BRICS enfrentam dificuldades para alcançar metas importantes, como a criação de uma moeda comum que substitua o dólar nas transações internacionais. Apesar de alguns avanços no comércio em moedas locais, o grupo ainda carece de uma infraestrutura financeira robusta que possa viabilizar essa transição. Maduro vê nas conversas sobre alternativas ao dólar uma chance de se desvincular das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e outros países ocidentais.
