Ana Lucia Umbelina Galache de Souza, de 55 anos, fraudou documentos para enganar o Exército e receber uma pensão militar indevidamente durante mais de três décadas. Ela usou uma certidão de nascimento falsificada para se passar por filha de um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, começando a receber o benefício em 1988. A fraude só foi descoberta em 2021, quando sua avó, Conceição Galache, a denunciou após um desentendimento familiar.
A origem da fraude
O esquema começou em 1986, quando Ana Lucia, ainda adolescente, mudou seu nome para “Ana Lucia Zarate”, alegando ser filha de Vicente Zarate, um ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Vicente, na verdade, era tio-avô de Ana Lucia e não deixou filhos, o que tornava ilegal o recebimento da pensão. Mesmo assim, ela conseguiu os documentos necessários para receber o benefício destinado a filhas solteiras de militares falecidos. A partir de 1988, quando Vicente faleceu, Ana Lucia começou a receber a pensão, que chegou a valores mensais de até R$ 8 mil.
O desfecho da fraude
O golpe permaneceu oculto até 2021, quando Conceição Galache, avó de Ana Lucia e cúmplice na fraude, a denunciou. Conceição e a neta dividiam o valor da pensão, mas a insatisfação da avó com a parte que recebia a levou a denunciar o esquema ao Exército e à Polícia Civil. Ana Lucia, então, confessou que usava o nome falsificado apenas para fins de recebimento do benefício, o que agravou sua situação judicial.
A Justiça Militar condenou Ana Lucia a três anos e três meses de prisão em fevereiro de 2023. Além disso, em outubro de 2024, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que ela devolvesse R$ 3 milhões recebidos indevidamente. Além disso, foi aplicada uma multa de R$ 1 milhão. O TCU também proibiu Ana Lucia de ocupar cargos públicos por um período de oito anos.
