O Concurso Nacional Unificado (CNU) se envolveu em uma polêmica após Isadora Nascimento, candidata com deficiência visual, denunciar graves falhas de acessibilidade. Essas falhas prejudicaram diretamente sua participação. A Fundação Cesgranrio, responsável pelo concurso, não conseguiu garantir as condições necessárias para que Isadora participasse em igualdade com os demais candidatos. Esses problemas levantaram questionamentos sobre a falta de preparo da banca organizadora.
Falhas na transcrição e prejuízos durante a prova
Isadora relatou que solicitou, antecipadamente, recursos de acessibilidade como um computador com leitor de tela, tempo adicional e auxílio para transcrição do gabarito. No entanto, durante a prova, surgiram erros que comprometeram sua performance. O ledor, responsável por transcrever suas respostas para o gabarito oficial, não marcou o tipo de prova, o que impediu a correção de suas respostas e resultou na eliminação de Isadora.
A candidata afirmou que essa falha demonstrou falta de preparo da equipe da banca organizadora. “Meu direito de concorrer em igualdade foi ferido”, declarou Isadora, destacando que a ausência de um processo adequado de transcrição inviabilizou sua participação de forma justa.
Problemas técnicos e perda de tempo
Durante a prova, Isadora também enfrentou desafios técnicos. O notebook fornecido pela Fundação Cesgranrio desligou inesperadamente, o que fez com que ela perdesse todas as respostas digitadas até aquele momento. Esse problema causou ainda mais pressão, pois ela teve que refazer parte da prova, prejudicando seu desempenho devido ao tempo perdido.
Ela ressaltou que a falta de preparação adequada por parte da banca evidenciou uma negligência quanto às necessidades específicas de candidatos com deficiência, especialmente em relação à tecnologia assistiva.
Falta de ferramentas acessíveis
Além dos problemas técnicos, Isadora destacou a ausência de ferramentas adequadas para realizar a prova. Em vez de disponibilizarem o editor de texto Word, que é mais acessível para pessoas com deficiência visual, a banca ofereceu apenas um bloco de notas simples, o que dificultou ainda mais a realização da prova. Sem o suporte necessário, Isadora precisou ditar suas respostas discursivas para outra pessoa transcrever, o que atrasou ainda mais o andamento da prova.
Isadora reforçou que essa situação afetou diretamente sua autonomia e comprometeu a qualidade do que poderia produzir se tivesse acesso a ferramentas adequadas. Ela destacou que as limitações impostas pela banca não deveriam existir, visto que a legislação garante o uso de tecnologias assistivas.
A luta por acessibilidade nos concursos públicos
O caso de Isadora Nascimento trouxe à tona discussões importantes sobre acessibilidade nos concursos públicos. Embora a legislação brasileira assegure direitos para pessoas com deficiência, ainda há muitos desafios na implementação prática dessas garantias. Bancas organizadoras, como a Fundação Cesgranrio, devem fornecer não apenas equipamentos apropriados, mas também garantir que suas equipes estejam devidamente capacitadas para lidar com as necessidades de candidatos com deficiência.
Especialistas em inclusão defendem que os concursos públicos precisam adotar medidas mais eficazes para permitir que candidatos com deficiência realizem suas provas de forma justa, sem depender de soluções improvisadas ou inadequadas. Ferramentas como leitores de tela e editores de texto acessíveis são essenciais para garantir a autonomia desses candidatos.
