A Justiça de Mato Grosso mandou devolver 42 bovinos aos pequenos produtores da Cooperpantanal (Cooperativa dos Criadores de Gado Pantaneiro do Médio Pantanal). Os animais estavam em posse ilegal de Antônio Soares da Silva. O juiz Alexandre Paulichi Chiovitti, da Comarca de Santo Antônio de Leverger, assinou a liminar, e a Polícia Militar cumpriu a ordem na última quarta-feira (2).
O conflito
O conflito começou quando o gado dos cooperados passou a circular em uma área que Antônio Soares cercou, mesmo sem o título de propriedade. A área, na Baía de Chacororé, sempre permitiu a criação de gado livremente, sem cercas, uma prática histórica na região.
Desde julho, Soares bloqueava a entrada dos proprietários para recuperarem os animais, o que levou a Cooperpantanal a recorrer à Justiça. Além disso, as tentativas de acordo não deram resultado. No entanto, mesmo com a confirmação judicial de que o gado era dos pequenos produtores, Soares se recusou a assinar a notificação.
O Impasse
Desde 2021, o conflito entre Soares e os cooperados se agravou. Ele cercou 900 hectares, que, segundo os produtores, não pertencem a ele. A Cooperpantanal argumenta que a cerca desrespeita a prática de criação livre na baía, essencial para a subsistência das famílias.
Além disso, Jair Durant, diretor da cooperativa, explicou que as famílias criam o gado de forma coletiva e pacífica há mais de 200 anos. “O manejo sempre foi feito sem cercas, permitindo que o gado se alimente durante a vazante”, disse Durant.
Questões legais
Além de Antônio Soares, o caso envolve outras figuras, como o ex-secretário de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Antenor Figueiredo Neto, e os irmãos Elifaz, Elias, Ludivico e Joelson Araújo Brandão. Contudo, em março, a Justiça já havia dado uma decisão favorável aos pequenos produtores contra grileiros que tentavam cercar 10 mil hectares na Baía de Chacororé.
