Pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, descobriram metais tóxicos em várias marcas renomadas de absorventes internos. O estudo, publicado na revista Environment International, detectou chumbo em todos os 30 tampões de 14 marcas testadas, incluindo algumas orgânicas. Além disso, a pesquisa encontrou níveis preocupantes de arsênio e cádmio em parte da amostra.
Os efeitos dos metais pesados na saúde são bem documentados. Esses elementos causam danos aos sistemas cardiovascular, nervoso e endócrino, além de afetar fígado, rins e cérebro. Também aumentam o risco de demência, câncer, diabetes e infertilidade, comprometendo ainda mais a saúde de gestantes e fetos.
Os autores do estudo apontam que absorventes internos podem ser uma fonte de exposição a essas substâncias químicas devido à alta permeabilidade da mucosa vaginal. Estima-se que entre 50% e 80% das pessoas que menstruam nos Estados Unidos utilizam esses produtos regularmente, consumindo até 7.400 absorventes internos ao longo da vida.
Estudo inédito levanta sinal de alerta
A principal autora do estudo, Jenni Shearston, destaca que a presença de metais tóxicos em absorventes internos é um tema pouco pesquisado. “Até onde sabemos, este é o primeiro estudo publicado a esse respeito”, afirma Shearston. A equipe testou 16 metais nas amostras, incluindo arsênio, bário, cálcio, cádmio, cobalto, cromo, cobre, ferro, manganês, mercúrio, níquel, chumbo, selênio, estrôncio, vanádio e zinco. Eles detectaram todos esses metais, mas chumbo, arsênio e cádmio estavam presentes em quantidades elevadas.
Os cientistas não revelaram os nomes das marcas testadas, mas afirmam que a amostra incluiu produtos listados como “campeões de venda” em um grande site varejista. Eles adquiriram os produtos tanto online quanto em lojas físicas em Nova York, Londres e Atenas, entre setembro de 2022 e março de 2023.
Possíveis fontes de contaminação
O grupo de pesquisa ainda não sabe como os metais foram parar nos absorventes, mas especula que as matérias-primas possam ter sido contaminadas por agrotóxicos, água, ar ou solo. Outra possibilidade é que alguns metais tenham sido adicionados intencionalmente durante o processo de fabricação para pigmentação, controle de odores ou como agente antibacteriano.
Especialistas pedem calma para mais estudos
Os pesquisadores ressaltam que ainda faltam evidências sólidas sobre os danos à saúde decorrentes do uso de absorventes internos. Eles afirmam que mais estudos são necessários para determinar até que ponto esses metais podem contaminar o corpo humano. Assim, para Shearston, uma coisa é certa: a indústria de produtos menstruais precisa ser melhor supervisionada. “Espero que os fabricantes sejam obrigados a testar a quantidade de metais em seus produtos, especialmente metais tóxicos”, afirma.
Em entrevista à rádio pública americana NPR, o ginecologista Nathaniel DeNicola, que não participou do estudo, pondera que a questão mais urgente não é a presença de substâncias químicas em absorventes internos, mas a quantidade que realmente é perigosa para a saúde. DeNicola explica que metais como cobre, cálcio, ferro e zinco, detectados no estudo, são seguros em baixas quantidades e até receitados por médicos. No entanto, seu acúmulo no organismo pode impactar as funções hormonais.
Preocupação com a saúde feminina
Embora os níveis de metais tóxicos detectados sejam baixos, o estudo levanta preocupações sobre os riscos cumulativos do uso prolongado de absorventes internos. Especialistas, como a ginecologista Shruthi Mahalingaiah, da Universidade de Harvard, enfatizam a necessidade de considerar esses potenciais riscos ao longo dos anos.
A pesquisa de Berkeley adiciona uma nova camada de complexidade ao debate sobre a segurança dos produtos de higiene íntima. Enquanto mais estudos são necessários para confirmar os riscos, a supervisão mais rigorosa da indústria e a transparência sobre a composição dos produtos são passos essenciais para garantir a saúde das consumidoras.
