A Polícia Civil indiciou 15 pessoas, incluindo presos da cadeia pública de Primavera do Leste, o diretor da unidade e “laranjas” que atuavam como testas de ferro de Janderson Lopes. Este esquema, criado para a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e a obtenção de regalias dentro da cadeia, resultou em acusações por associação criminosa, corrupção passiva e ativa, e lavagem de capitais.
Operação La Catedral
A Delegacia de Roubos e Furtos de Primavera do Leste conduziu a investigação que originou a Operação La Catedral, deflagrada em maio deste ano. Durante a operação, a polícia revelou que o diretor da unidade prisional, juntamente com presos e pessoas externas, colaborou para montar o esquema. Entre as atividades ilegais identificadas, destacam-se, por exemplo, o pagamento de propinas para a concessão de regalias aos reclusos da cadeia. Além disso, outras práticas irregulares também foram descobertas ao longo da investigação.
Atividades Ilícitas e regalias
Janderson Lopes, condenado a 39 anos de prisão por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, foi transferido para a cadeia de Primavera do Leste. Poucos meses depois, ele recebeu permissão para trabalho externo. A investigação revelou que ele não cumpria sua escala de trabalho e agia com total liberdade, viajando e administrando seu patrimônio ilícito. Além disso, o diretor da cadeia mantinha uma relação de proximidade com Janderson, sendo vistos juntos em locais públicos.
Outro preso, identificado como W.H.D., também obteve regalias mediante pagamento de propina. Ele saía da cadeia para frequentar sua residência e empresa. Ademais, ele intermediou a compra de vagas para outros presos, com uma vaga negociada por R$ 100 mil.
Movimentações financeiras suspeitas
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou que pelo menos 30 presos pagaram propina ao grupo criminoso liderado por Janderson para obter regalias. Os presos ou familiares realizavam os pagamentos em contas indicadas pelo diretor da cadeia. Além disso, presos foram utilizados para obras particulares e manutenção de imóveis de Janderson e do diretor da unidade prisional.
Envolvimento de outros indiciados
Entre os indiciados na Operação La Catedral estão um advogado e um ex-vereador de General Carneiro. A investigação descobriu transferências financeiras suspeitas para o diretor da cadeia e seu irmão, totalizando valores significativos. Dessa forma, o servidor público ostentava uma vida incompatível com seu rendimento, movimentando mais de R$ 2 milhões em suas contas bancárias durante o período investigado.
Em resumo, a Operação La Catedral revelou um complexo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo autoridades e presos da cadeia de Primavera do Leste. A Polícia Civil continua as investigações, visando desmantelar toda a rede criminosa e assegurar que os responsáveis enfrentem as consequências legais de seus atos.
